Arquivo de Categoria 1 - Adrielle Mattos https://adriellemattos.com/category/category-1/ My WordPress Blog Tue, 30 Dec 2025 22:56:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 O Ciclo Menstrual e o Autoconhecimento https://adriellemattos.com/espiritualidade-pratica-integrando-o-bem-estar-a-rotina/ https://adriellemattos.com/espiritualidade-pratica-integrando-o-bem-estar-a-rotina/#respond Fri, 28 Nov 2025 18:39:57 +0000 https://adriellemattos.com/espiritualidade-pratica-integrando-o-bem-estar-a-rotina/ Por que alguns dias parecem o fim — e outros, recomeço? Há dias em que algo escurece por dentro. O corpo pesa, a mente acelera, as emoções se misturam —e […]

O post O Ciclo Menstrual e o Autoconhecimento apareceu primeiro em Adrielle Mattos.

]]>
Por que alguns dias parecem o fim — e outros, recomeço?

Há dias em que algo escurece por dentro.

O corpo pesa, a mente acelera, as emoções se misturam —
e tudo começa a parecer excesso.

É como um céu carregado de nuvens escuras,
segurando chuva, trovão, vento
— e você tentando segurar tudo dentro de si.

Mesmo sabendo que vai passar,
parece impossível acreditar que vai passar.

Durante anos, disseram que isso era:

drama
fraqueza
“coisa de mulher”

Mas o corpo não está contra você.

Ele está falando.

E quando você aprende a escutar,
o ciclo deixa de ser um inimigo
e se transforma em um mapa.


O ciclo não é só menstruação — é um movimento inteiro

Do ponto de vista fisiológico, o ciclo menstrual é regulado por um diálogo complexo entre:

  • cérebro (hipotálamo e hipófise)
  • ovários
  • hormônios (estradiol, progesterona, LH, FSH)

(Essa comunicação é chamada de eixo hipotálamo–hipófise–ovariano.)

Quando esse eixo muda, você muda.

Humor, foco, energia, sensibilidade, libido, coragem, introspecção —
tudo dança ao ritmo dessas variações.

Estudos mostram que o ciclo influencia:

  • processamento emocional (Derntl et al., 2008)
  • percepção de estresse (Albert et al., 2015)
  • memória e atenção (Farage et al., 2008)
  • desejo sexual (Roney & Simmons, 2013)

Não é “coisa da sua cabeça”.
É corpo + psique conversando.


🌑 Menstruação — o chamado ao recolhimento

Durante a menstruação:

  • os níveis de estrógeno e progesterona estão baixos
  • o útero está eliminando o endométrio
  • o corpo está trabalhando intensamente internamente

Por isso, é comum sentir:

✔ cansaço profundo
✔ necessidade de silêncio
✔ sensibilidade e introspecção
✔ vontade de reduzir estímulos

O corpo está fazendo um processo de limpeza e reorganização.

Não é preguiça.
É economia de energia.

Estudos mostram que, nesse período, muitas mulheres apresentam:

  • menor tolerância à dor
  • menor desempenho físico intenso
  • maior necessidade de descanso

Quando você respeita,
o corpo responde com menos tensão e menos sintomas.

Quando ignora — e exige produtividade máxima —
o corpo cobra com irritabilidade, dor, exaustão.

Aqui, a pergunta é:

“Do que eu posso abrir mão — só nesses dias?”

Não é desistência.
É cuidado.


🌒 Fase folicular — o renascer silencioso

Depois da menstruação, o estrógeno começa a subir.

É como se uma luz suave acendesse de novo.

Muitas mulheres relatam:

✨ clareza mental
✨ vontade de planejar
✨ criatividade
✨ sensação de leveza emocional

A neurociência mostra que o estrógeno:

  • melhora o humor
  • aumenta dopamina e serotonina
  • favorece foco e motivação

É comum sentir:

“Agora eu consigo pensar melhor.”
“Agora eu me reconheço de novo.”

Esse é um ótimo período para:

  • organizar projetos
  • estudar
  • iniciar conversas importantes
  • planejar o próximo ciclo

O corpo convida para o recomeço.


🌕 Ovulação — expansão, brilho, presença

Na ovulação, o corpo atinge picos de estrógeno e LH.

O cérebro entende:

“Estamos em fase de conexão.”

Por isso, é comum:

✔ libido mais alta
✔ mais autoestima
✔ vontade de socializar
✔ maior empatia
✔ mais fluidez nas relações

Pesquisas indicam que mulheres nessa fase
podem até ser percebidas como mais confiantes e expressivas.

É uma fase de expansão.

Mas aqui existe um risco sutil:

algumas mulheres excedem seus limites,
dizem mais “sim” do que conseguem sustentar,
assumem responsabilidades demais,
entregam demais emocionalmente.

E o corpo registra.

O que é ignorado aqui
muitas vezes reaparece depois — ampliado — na TPM.


🌘 Fase lútea — o acúmulo que pede verdade

Aqui é onde precisamos aprofundar.

Após a ovulação, a progesterona sobe.
Ela desacelera, puxa para dentro,
prepara o corpo para uma possível gestação.

E, psicologicamente,
ela convida ao recolhimento e à introspecção.

Só que vivemos numa cultura que exige:

  • performance
  • produtividade
  • sorriso
  • força contínua

Então, enquanto o corpo pede:

“Calma. Menos. Olha para dentro.”

a mente diz:

“Anda. Dá conta. Segura mais um pouco.”

É nesta fase que tudo o que não foi visto
começa a aparecer:

  • ressentimentos engolidos
  • limites ultrapassados
  • conversas evitadas
  • exaustão acumulada
  • necessidades emocionais ignoradas

Por isso, muitas mulheres relatam:

✔ irritação sem motivo “claro”
✔ hipersensibilidade
✔ vontade de chorar
✔ sensação de abandono
✔ mais autocrítica

E não é fraqueza.

É o corpo dizendo:

“Não dá mais para segurar sozinha.”

Estudos sobre a fase lútea mostram
maior reatividade emocional e maior sensibilidade ao estresse.

Ou seja:

o corpo não está te sabotando
ele está tentando te proteger.

Quando aqui você:

  • dorme melhor
  • faz pausas
  • diminui estímulos
  • fala o que sente com cuidado
  • não força produtividade máxima

a TPM chega mais suave.

Quando ignora,
o corpo grita.


🌩 TPM — quando a barragem rompe

A TPM não surge “três dias antes”.

Ela pode começar dez dias antes
porque ela é consequência de acúmulos.

Biologicamente, ocorre um declínio rápido de:

  • progesterona
  • estrógeno

Essa queda influencia neurotransmissores como serotonina,
o que impacta humor, sono e apetite.

Por isso, muitas mulheres relatam:

✔ pensamentos duros sobre si mesmas
✔ sensação de fracasso
✔ exaustão mental
✔ tristeza intensa
✔ sensação de solidão
✔ crises em relacionamentos
✔ vontade de sumir

Não é “drama”.

É:

corpo pedindo cuidado
emoções pedindo espaço
limites pedindo reconhecimento

E sim — mesmo sabendo que vai passar,
dói.

Aqui, o autoconhecimento é:

em vez de se atacar,
perguntar:

“O que foi demais para mim esse mês?”

“Onde eu fui longe demais comigo?”

“O que eu precisei — e não recebi?”

Porque a TPM amplifica aquilo que já existia escondido.

Ela não cria — ela revela.


O ciclo como caminho espiritual e psicológico

Quando você começa a observar o próprio ciclo:

📌 percebe repetições
📌 identifica gatilhos
📌 entende quando se recolher
📌 aprende quando avançar
📌 diminui culpa
📌 aumenta compaixão consigo

Você deixa de viver contra o corpo,
e passa a viver com ele.

E aqui existe algo profundo:

muitas mulheres passam anos tentando ser lineares —
quando, na verdade, são cíclicas.

Reconhecer isso cura culpa,
cura comparação
e devolve pertencimento ao próprio corpo.


Pequenas práticas que ajudam (sem romantizar)

Não dá para organizar a vida inteira ao redor do ciclo — eu sei.

Mas pequenas coisas ajudam:

🌿 reduzir compromissos na TPM, quando possível
🌿 priorizar descanso na menstruação
🌿 usar a fase ovulatória para resolver o que exige mais energia
🌿 usar a fase lútea para revisar, sentir, fechar ciclos
🌿 observar padrões em um diário simples do ciclo

E principalmente:

❌ parar de se chamar de fraca
✔ começar a se tratar como alguém que sente

O post O Ciclo Menstrual e o Autoconhecimento apareceu primeiro em Adrielle Mattos.

]]>
https://adriellemattos.com/espiritualidade-pratica-integrando-o-bem-estar-a-rotina/feed/ 0
Autorresponsabilidade sem culpa: quando a adulta precisa cuidar da criança ferida. https://adriellemattos.com/5-passos-para-alcancar-o-autoconhecimento-verdadeiro/ https://adriellemattos.com/5-passos-para-alcancar-o-autoconhecimento-verdadeiro/#respond Fri, 28 Nov 2025 18:39:48 +0000 https://adriellemattos.com/5-passos-para-alcancar-o-autoconhecimento-verdadeiro/ “Isso aconteceu comigo, mas e agora?” Existe um ponto delicado no caminho do autoconhecimento que quase ninguém ensina. Primeiro, a gente descobre: eu tenho traumaseu tenho feridas antigasmuita coisa que […]

O post Autorresponsabilidade sem culpa: quando a adulta precisa cuidar da criança ferida. apareceu primeiro em Adrielle Mattos.

]]>
“Isso aconteceu comigo, mas e agora?”

Existe um ponto delicado no caminho do autoconhecimento que quase ninguém ensina.

Primeiro, a gente descobre:

eu tenho traumas
eu tenho feridas antigas
muita coisa que eu sinto nasceu na infância

E isso traz alívio:

“Agora faz sentido. Eu não sou louca. Eu só fui machucada.”

Mas se a gente fica apenas nesse lugar,
acontece algo perigoso:

a dor vira casa
o trauma vira identidade
e o mundo vira eterno culpado

E aí surge a pergunta que marca a virada:

“Ok — isso me feriu. Mas e agora?”

Não é sobre negar o passado.
É sobre decidir o que fazemos com ele.


A criança sente. A adulta escolhe.

Uma coisa que eu percebo muito nos meus atendimentos:

Muitas vezes, quem está tomando decisões na vida
não é a mulher adulta.

É a criança assustada.

A criança que aprendeu a se calar.
A criança que aprendeu a se moldar.
A criança que acreditou que amor é sobrevivência.

Então, diante de um relacionamento abusivo, por exemplo,
acontece assim:

a criança diz:

“ele vai mudar… eu só preciso amar mais.”

a adulta, porém, sabe:

“isso está me destruindo.”

Autorresponsabilidade não é brigar com a criança.
É a adulta se aproximar e dizer:

“Eu entendo seu medo.
Mas agora quem decide sou eu.
E eu vou proteger a gente.”

Isso é maturidade emocional.

Não é frieza.
Não é dureza.
É cuidado.


Autorresponsabilidade NÃO é autoviolência

Existe um discurso perigoso por aí:

“Se você sofre, é porque quer.”
“Você atraiu tudo isso.”
“Seja forte e pronto.”

Isso não é autorresponsabilidade.

Isso é crueldade.

Autorresponsabilidade verdadeira diz:

“o que aconteceu comigo não foi culpa minha —
mas a cura é minha responsabilidade.”

Não é justificar o agressor.
Não é romantizar a ferida.
Não é “aguenta firme”.

É reconhecer:

eu não controlo o que fizeram comigo
mas eu posso escolher o que permito daqui pra frente

E essa escolha, às vezes,
dói.

Porque assumir responsabilidade
significa sair de papéis que eram confortáveis:

o da vítima eterna
o de quem sempre espera
o de quem precisa ser salva

E começar a ocupar um lugar diferente:

o de quem se levanta
o de quem diz não
o de quem constrói limites


“Mas eu não consigo sair — então é culpa minha?”

Não.

Às vezes, o corpo ainda não consegue.

Às vezes, o medo ainda é maior que a força.
Às vezes, existe dependência financeira, filhos, história, vergonha.

Autorresponsabilidade, nesse caso, pode começar pequena:

pedir ajuda
contar a alguém
guardar dinheiro
fazer terapia
ler, estudar, entender os padrões

Não é tudo de uma vez.

É um passo.

Depois outro.

Depois outro.

Até que, um dia,
o corpo entende:

“agora eu posso ir.”

E vai.

Não por impulso.
Mas por consciência.


Quando o trauma vira justificativa para tudo

Outra coisa que fui percebendo com o tempo:

Às vezes, a gente usa o trauma
como permissão para não mudar.

“Eu sou assim porque fui machucada.”

Sim.
Mas ficar assim — talvez não precise.

Jung dizia:

“Nada muda enquanto ficamos confortáveis com o que dói.”

Autorresponsabilidade é perguntar:

“Isso me protege — ou me aprisiona?”

Porque algumas atitudes não são mais proteção.
São repetição.

E a repetição nos mantém presas
ao mesmo tipo de relação,
ao mesmo tipo de dor,
ao mesmo tipo de abandono.


O ponto mais difícil: assumir que, agora, eu posso escolher diferente

Talvez essa seja a parte mais dolorida:

Quando finalmente percebemos que,
em vários momentos,

quem continuou se abandonando
fomos nós.

Não por maldade.
Por hábito.

Autorresponsabilidade não aponta o dedo.
Ela abraça e diz:

“Eu entendo por que fiz assim —
mas agora eu quero aprender um outro jeito.”

Isso muda tudo.


Como começar — de forma prática (e humana)

1 Nomear a verdade

Sem florear:

“isso me machuca”
“isso não funciona mais”
“isso me diminui”

2 Honrar a criança — mas fortalecer a adulta

Perguntar:

“o que eu precisava lá atrás?”
“e o que eu preciso agora?”

E permitir que a adulta conduza.

3 Aprender a colocar limites

Limite não é rejeição.
Limite é proteção.

4 Parar de esperar salvador

Ninguém vem salvar.

Parcerias ajudam.
Amigos apoiam.

Mas o movimento interno é nosso.

5 Trocar culpa por responsabilidade

Não é:

“a culpa é minha.”

É:

“a escolha, agora, é minha.”

E isso é libertador.


No fim, autorresponsabilidade é um ato de amor

Não com a perfeição.
Não com pressa.

Mas com presença.

É olhar para si e dizer:

“Eu não pude escolher o que fizeram comigo —
mas eu posso escolher como sigo a partir daqui.”

E caminhar, mesmo tremendo.

Um pouco por dia.

Sem se trair.

Sem se abandonar.

Com carinho — e com verdade.

O post Autorresponsabilidade sem culpa: quando a adulta precisa cuidar da criança ferida. apareceu primeiro em Adrielle Mattos.

]]>
https://adriellemattos.com/5-passos-para-alcancar-o-autoconhecimento-verdadeiro/feed/ 0