Por que alguns dias parecem o fim — e outros, recomeço?
Há dias em que algo escurece por dentro.
O corpo pesa, a mente acelera, as emoções se misturam —
e tudo começa a parecer excesso.
É como um céu carregado de nuvens escuras,
segurando chuva, trovão, vento
— e você tentando segurar tudo dentro de si.
Mesmo sabendo que vai passar,
parece impossível acreditar que vai passar.
Durante anos, disseram que isso era:
drama
fraqueza
“coisa de mulher”
Mas o corpo não está contra você.
Ele está falando.
E quando você aprende a escutar,
o ciclo deixa de ser um inimigo
e se transforma em um mapa.
O ciclo não é só menstruação — é um movimento inteiro
Do ponto de vista fisiológico, o ciclo menstrual é regulado por um diálogo complexo entre:
- cérebro (hipotálamo e hipófise)
- ovários
- hormônios (estradiol, progesterona, LH, FSH)
(Essa comunicação é chamada de eixo hipotálamo–hipófise–ovariano.)
Quando esse eixo muda, você muda.
Humor, foco, energia, sensibilidade, libido, coragem, introspecção —
tudo dança ao ritmo dessas variações.
Estudos mostram que o ciclo influencia:
- processamento emocional (Derntl et al., 2008)
- percepção de estresse (Albert et al., 2015)
- memória e atenção (Farage et al., 2008)
- desejo sexual (Roney & Simmons, 2013)
Não é “coisa da sua cabeça”.
É corpo + psique conversando.
🌑 Menstruação — o chamado ao recolhimento
Durante a menstruação:
- os níveis de estrógeno e progesterona estão baixos
- o útero está eliminando o endométrio
- o corpo está trabalhando intensamente internamente
Por isso, é comum sentir:
✔️ cansaço profundo
✔️ necessidade de silêncio
✔️ sensibilidade e introspecção
✔️ vontade de reduzir estímulos
O corpo está fazendo um processo de limpeza e reorganização.
Não é preguiça.
É economia de energia.
Estudos mostram que, nesse período, muitas mulheres apresentam:
- menor tolerância à dor
- menor desempenho físico intenso
- maior necessidade de descanso
Quando você respeita,
o corpo responde com menos tensão e menos sintomas.
Quando ignora — e exige produtividade máxima —
o corpo cobra com irritabilidade, dor, exaustão.
Aqui, a pergunta é:
“Do que eu posso abrir mão — só nesses dias?”
Não é desistência.
É cuidado.
🌒 Fase folicular — o renascer silencioso
Depois da menstruação, o estrógeno começa a subir.
É como se uma luz suave acendesse de novo.
Muitas mulheres relatam:
✨ clareza mental
✨ vontade de planejar
✨ criatividade
✨ sensação de leveza emocional
A neurociência mostra que o estrógeno:
- melhora o humor
- aumenta dopamina e serotonina
- favorece foco e motivação
É comum sentir:
“Agora eu consigo pensar melhor.”
“Agora eu me reconheço de novo.”
Esse é um ótimo período para:
- organizar projetos
- estudar
- iniciar conversas importantes
- planejar o próximo ciclo
O corpo convida para o recomeço.
🌕 Ovulação — expansão, brilho, presença
Na ovulação, o corpo atinge picos de estrógeno e LH.
O cérebro entende:
“Estamos em fase de conexão.”
Por isso, é comum:
✔️ libido mais alta
✔️ mais autoestima
✔️ vontade de socializar
✔️ maior empatia
✔️ mais fluidez nas relações
Pesquisas indicam que mulheres nessa fase
podem até ser percebidas como mais confiantes e expressivas.
É uma fase de expansão.
Mas aqui existe um risco sutil:
algumas mulheres excedem seus limites,
dizem mais “sim” do que conseguem sustentar,
assumem responsabilidades demais,
entregam demais emocionalmente.
E o corpo registra.
O que é ignorado aqui
muitas vezes reaparece depois — ampliado — na TPM.
🌘 Fase lútea — o acúmulo que pede verdade
Aqui é onde precisamos aprofundar.
Após a ovulação, a progesterona sobe.
Ela desacelera, puxa para dentro,
prepara o corpo para uma possível gestação.
E, psicologicamente,
ela convida ao recolhimento e à introspecção.
Só que vivemos numa cultura que exige:
- performance
- produtividade
- sorriso
- força contínua
Então, enquanto o corpo pede:
“Calma. Menos. Olha para dentro.”
a mente diz:
“Anda. Dá conta. Segura mais um pouco.”
É nesta fase que tudo o que não foi visto
começa a aparecer:
- ressentimentos engolidos
- limites ultrapassados
- conversas evitadas
- exaustão acumulada
- necessidades emocionais ignoradas
Por isso, muitas mulheres relatam:
✔️ irritação sem motivo “claro”
✔️ hipersensibilidade
✔️ vontade de chorar
✔️ sensação de abandono
✔️ mais autocrítica
E não é fraqueza.
É o corpo dizendo:
“Não dá mais para segurar sozinha.”
Estudos sobre a fase lútea mostram
maior reatividade emocional e maior sensibilidade ao estresse.
Ou seja:
o corpo não está te sabotando —
ele está tentando te proteger.
Quando aqui você:
- dorme melhor
- faz pausas
- diminui estímulos
- fala o que sente com cuidado
- não força produtividade máxima
a TPM chega mais suave.
Quando ignora,
o corpo grita.
🌩️ TPM — quando a barragem rompe
A TPM não surge “três dias antes”.
Ela pode começar dez dias antes —
porque ela é consequência de acúmulos.
Biologicamente, ocorre um declínio rápido de:
- progesterona
- estrógeno
Essa queda influencia neurotransmissores como serotonina,
o que impacta humor, sono e apetite.
Por isso, muitas mulheres relatam:
✔️ pensamentos duros sobre si mesmas
✔️ sensação de fracasso
✔️ exaustão mental
✔️ tristeza intensa
✔️ sensação de solidão
✔️ crises em relacionamentos
✔️ vontade de sumir
Não é “drama”.
É:
corpo pedindo cuidado
emoções pedindo espaço
limites pedindo reconhecimento
E sim — mesmo sabendo que vai passar,
dói.
Aqui, o autoconhecimento é:
em vez de se atacar,
perguntar:
“O que foi demais para mim esse mês?”
“Onde eu fui longe demais comigo?”
“O que eu precisei — e não recebi?”
Porque a TPM amplifica aquilo que já existia escondido.
Ela não cria — ela revela.
O ciclo como caminho espiritual e psicológico
Quando você começa a observar o próprio ciclo:
📌 percebe repetições
📌 identifica gatilhos
📌 entende quando se recolher
📌 aprende quando avançar
📌 diminui culpa
📌 aumenta compaixão consigo
Você deixa de viver contra o corpo,
e passa a viver com ele.
E aqui existe algo profundo:
muitas mulheres passam anos tentando ser lineares —
quando, na verdade, são cíclicas.
Reconhecer isso cura culpa,
cura comparação
e devolve pertencimento ao próprio corpo.
Pequenas práticas que ajudam (sem romantizar)
Não dá para organizar a vida inteira ao redor do ciclo — eu sei.
Mas pequenas coisas ajudam:
🌿 reduzir compromissos na TPM, quando possível
🌿 priorizar descanso na menstruação
🌿 usar a fase ovulatória para resolver o que exige mais energia
🌿 usar a fase lútea para revisar, sentir, fechar ciclos
🌿 observar padrões em um diário simples do ciclo
E principalmente:
❌ parar de se chamar de fraca
✔️ começar a se tratar como alguém que sente


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